Um castelo pequeno, mas aconchegante e com muitas histórias. Isso em uma cidade com uma bela praia e fria, muito fria, como toda a Irlanda. Esse era o Castelo de Malahide, que ficava próximo a Dublin. Estava com meus companheiros de turma em uma viagem promovida pela escola. Apesar de pequeno, a área ao redor do Castelo era gigante. Entramos para conhecer as histórias daquela construção medieval com móveis do século XII. Uma guia ia falando das tradições da época e mostrando como era. Um exemplo era o fato de as mulheres terem de se maquiar no frio já que se o fizessem perto da lareira a maquiagem iria derreter. Ou então que por muito tempo existiu a profissão de “olheiro”, que nada mais era que uma pessoa incumbida de observar os casais de apaixonados e impedi-los de se tocar e conversar sobre política ou assuntos relacionados. Além da história familiar dos Talbots, que era a família proprietária do imóvel. Pelo menos até Rose Talbot vende-lo para o governo, na época da fome na Irlanda, e ir morar na Austrália. Mas não é isso que quero contar nessas linhas. Mas, sim, as histórias de fantasmas. Enquanto andávamos pelo Castelo íamos entrando nos diversos cômodos e cada um parecia relembrar de uma época distinta. Até chegarmos a um bem escuro com estantes negras. Foi então que a guia contou que a família Talbot havia apoiado o rei Jaime II que disputava o trono do Reino Unido, inclusive com a perda de grande parte da família. O rei católico no entanto saiu derrotado e o catolicismo fora proibido. O que não impediu os Talbots de realizarem seus cultos e esconder o “santíssimo” em uma câmara secreta. “Conta-se que um dia estavam todos aqui em comunhão e sabendo disso a guarda inglesa apareceu no castelo. Diante da situação as pessoas se esconderam no compartimento, porém, a chave foi perdida e elas nunca mais saíram de lá. Porque a chave ainda não foi achada. Dizem que o espírito dessas pessoas ainda vaga pelo castelo”, dizia. Outra história ocorreu na sala de jantar, que tinha uma daquelas mesas enormes igual nos filmes, com quadros por todo o lugar, e um coreto. Conta-se que um jovem “bobo” da corte fez um espetáculo durante um jantar no coreto. E ao adentrar a mais bela mulher, ele fez uma grande declaração de amor, mas ela o rejeitou. Por este motivo ele ao não agüentar a dor se jogou do coreto, mas, óbvio, o espírito dele continua a vagar a procura do grande amor. “Outra versão fala que ele era um homem leal aos Talbots que fora morto pelas tropas inglesas que queriam invadir o castelo e alma dele continua a vagar”, afirmou a guia. Ela nos desafiou, ainda, a observar um quadro em um corredor em que a menina Rose Talbot nos acompanha com os olhos. E ao passarmos pela pintura, não resisti e fiquei observando aquela imagem com uma mulher e duas meninas. E a Rose, não tirava o olho de mim. O medo tomou conta. E todas as histórias se unificaram em um calafrio. Conhecemos os quartos do Castelo e depois o jardim que era muito belo.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Crônicas de um intercambista: Diferenças Culturais
O telefone desperta, mas o corpo não quer levantar. Está na hora. É sair da cama e ligar o boiler – para esquentar a água do chuveiro- voltar para a cama e esperar uns 20 minutos. Depois é levantar, tomar um banho, um café, colocar a roupa e ir para a escola. Isso tudo por volta das 7h da manhã. Essa era minha rotinha em um dos apartamentos que morei em Dublin. E dentro dela, quase todos os dias, um dos moradores natural das Ilhas Maurício me acompanhava pela manhã. Bastava levantar para ligar o boiler que lá estava ele. Com um ornamento na mão, rezando e andando pela casa. Ele sentava no sofá, tomava um gole de água, rezava mais um pouco e recomeçava a caminhada pelos cômodos que dividíamos. Óbvio sem entrar em meu quarto, o qual eu dividia com um paulista corintiano. “Good Morning, Lucas”, ele dizia todas às vezes. E iniciávamos uma conversa curta, até ele levantar do sofá novamente e reiniciar as orações. Não me pergunte que religião ou culto pertencia meu roommate, porque nunca entramos no tópico desta conversação. Porém era engraçado e ao mesmo tempo estranho vê-lo quase todos os dias naquele ritual. Ficamos muito amigos e por vezes ele fazia pratos e dividia comigo e vice-versa. Lembro do dia em que fiz uma pipoca e ao colocar sal ele me questionou porque eu estava fazendo aquilo. “In my countrie we only eat sweet popcorn”, disse ele. Então o encorajei a experimentar a pipoca salgada. Ele me olhou pegou um punhado deu um mordia e imediatamente jogou no lixo. “I prefer sweet”, falou ele e rimos. Em outro episódio apresentei para ele e o outro morador do apartamento,também, natural das Ilhas Maurício, o “aipim”, conhecido em outros lugares como mandioca. Nunca tinham ouvido falar e nem sabiam que existia tal iguaria no mundo. Se eles gostaram? Acredito que não muito, apesar de terem dito que era bom demais. Onde achei mandioca em Dublin? Nos mercados brasileiros, porque não é um produto vendido lá. Na realidade era nos mercados brasileiros que matávamos um pouco da saudade de um guaraná, uma carne boa, entre outros. Nunca me importei muito com as rezas e o estilo de vida diferente. Mas é nessas horas que percebemos o quão é importante respeitar as diferenças. E que, sim, existem muitas diferenças. Apesar de toda a globalização,coca-cola e Mcdonald’s.
terça-feira, 15 de maio de 2018
Hipocrisia
Dois amigos, um bar meio caindo aos pedaços, muitas bebidas e apenas um assunto: um acidente de carro impressionante. “Como ele saiu ileso? É impossível capotar tantas vezes e sair sem ferimentos graves”, disse José iniciando o assunto. “ Verdade, esse teve sorte. Passar reto assim sem enxergar um trevo. Visse as fotos e os vídeos?”. “Nossa, com certeza. Recebi em trezentos grupos diferentes. Todo mundo falando. Parece que o cara tava bêbado”. “ Pois é, já pensou se ele mata alguém inocente? Como ficaria?”. “ Verdade. Complicado não é!?”, respondeu Marcelo. “Ta faltando alguma coisa, já sei. Brother desse uma bem gelada aí. Esse calor ta de matar. Agora, visse os comentários nas redes sociais? Rapaz estão bombardeando o cara”. Antes de responder, Marcelo dá um gole na cerveja. “Nossa que coisa boa, agora sim. Pois é rapaz, mas também encheu a cara e vai dirigir. Aí não dá neh!? Complicado”. “ Nossa estão chamando ele de tudo, até que ele merecia ter se ferido”, falou José. “Pois é, mas olha o que o cara fez? Podia ter sido muito pior. Tá loco!? beber daquele jeito e dirigir. E na velocidade que ele tava”. “ É… Ele se negou a fazer o bafômetro, mas parece que a polícia constatou que ele tava embriagado. Esse ai ta ralado, perdeu o carro, tem a multa e vai perder a carteira”. “ Pois é pouco, para esse vagabundo. Nossa essa cerveja ta descendo que nem água, vou pedir outro. Aew, mais uma aqui!”. “ Tu viu o face do cara? Bah até isso já estão espalhando”. “Tá certo,tem que mostrar o nome, endereço e a cara. Quer fazer besteira e depois quer se esconder? Aí não dá neh!?”. “ Bom, mas não é bem assim. Ele já vai pagar bem caro o que ele fez. Agora como as pessoas gostam de tragédia não é!? Logo querem saber quem é, quem foi e quem não foi”. “ Verdade, basta ver os aglomerados de pessoas que juntam esse tipo de coisa. Ou então quando se está na estrada e tem uma fila porque todo mundo desacelera o carro para ver a desgraça do outro”. E assim a conversa se desenrolou por diversas horas. E muitas cervejas depois, o assunto voltou à tona. “Olha esse comentário aqui, desejando a morte do rapaz. Como é que pode não é!? Podia ser qualquer um de nós. Só precisou de alguns segundos para esse cara passar a ser tratado como bandido”, disse José. “ Mas ele mereceu! É um bandido como qualquer outro, fazer o que fez. Quem é o imbecil que bebe que nem louco, depois dirige e coloca a vida de outras pessoas em risco!”. O telefone toca e Marcelo atende. Era hora de ir embora. “Sua mulher ligou? Tá mais tu vai dirigir assim? Eu moro aqui, fica por aqui”, alertou José. “ Eu tô zerado rapaz! Deixa de ser doido. Não sou que nem aquele cara”. “ Tu quase caiu agora pra se levantar”. “Fica na tua! Até”, respondeu Marcelo e foi embora cambaleando do bar.
segunda-feira, 14 de maio de 2018
Do facebook à mesa de bar
Um tema apenas permeava a conversa de Augusto e João. Um médico e outro carpinteiro. O presidenciável Jair Bolsonaro. Ambos haviam parado em um bar no centro da cidade e começaram a discussão. Amigos de longa data, concordavam em uma máxima: “Ele não pode vencer”. Enquanto conversavam e tomavam aquele cervejinha gelada, um homem que nunca tinham visto, os interrompeu e disse rudemente: “ Vocês estão loucos? Ele é o único que pode salvar o país! Se ele entrar adeus bandidagem, adeus corrupção e ele vai colocar a pena de morte para esses vagabundos!”. “E porque tu acha que ele irá fazer isso?”, falou Augusto. “Porque ele era militar e é linha dura. Olha o que esses comunistas fizeram! E porque ele já falou em diversas entrevistas”, disse o homem. João então decidiu fazer mais um questionamento: “ Olha, mas para ele fazer isso ele não tem que passar pelo Congresso? Não é simples assim”, falou. “ Que Congresso o que, quem manda é o presidente e ele vai nos salvar! Não viram os policiais mortos todos os dias? Só ele para acabar com isso”, esbravejou. “ Sim ele vai vestir uma capa de super-homem e se jogar na frente das balas?”, falou irônico e riu Augusto. “Vocês estão rindo do que seu petralha? Vai lá com teu lulinha paz e amor vai!”,afirmou o homem. “Petralha? Nunca fui e nunca serei da esquerda. Mas, também, não acredito que um homem que ficou 30 anos na Assembléia e não fez nada tem capacidade para ser presidente. Aliás, não sei nem se tem coragem. Capaz de na hora ‘H’ ele emplacar uma candidatura à Senador, bem mais o estilo dele. Ficar sem fazer nada e escondido”, respondeu Augusto. “ Ele é o único honesto! Ele fez muita coisa! É um político diferente!”, falou. “Bolsonaro é tão diferenciado que só falta colocar o próprio cachorro na política. Porque a família inteira ele já colocou para ‘mamar’”, respondeu. Nisso outra pessoa que ouvia a conversa de longe se aproximou e falou em tom alto: “Sai dai o reaça! Vai lá com a tua turma! Bolsonaro é a solução desse país”, disse. De repente outras pessoas começaram a entrar na conversa e comentar as mesmas coisas: “ Ele é o único honesto!”, “Ele é a favor da família”, “Saiam daqui seus petralhas, esquerdistas de merda que acabaram com o país”. Então ambos se levantaram e deixaram o bar conversando. “Esses bolsonazis estão piores que os esquerdistas ferrenhos, não se pode refutar, nem falar ou discutir”, disse Augusto. “ E o pior seguimos naquele velha e idiota crença de que existe uma pessoa, um super herói que irá mudar o país. Enquanto nós continuamos com nossas vidas. Acho que vemos muitos filmes e desenhos com esses personagens. A mudança tinha que começar em nós, o povo. Uma pessoa não muda uma cultura inteira voltada à esperteza e a malandragem. Uma cultura voltada para o EU”, finalizou João. E continuaram a caminhar em direção ao seus carros.
terça-feira, 6 de março de 2018
O voto
Era mais um domingo ensolarado e na casa do Zé era hora do churrasco. Na mesa estavam sua mulher, seu filho de sete anos e diversos amigos. Entre uma garfada e outra o Marcus puxou o assunto.
-Pois é, porque será neh!?? Esses caras sempre se elegem. Podem ter roubado um caminhão de dinheiro que no outro ano estão lá novamente. O povo é muito burro. Vende o voto e depois quer cobrar.
-Mas não me admira. Esse Alfredinho um dia fui pedir ajuda para ele e ele me negou. Disse que tava brigado com o prefeito e não tinha como conseguir a cirurgia da mulher. Fui em outro. Também fiz questão de ir lá no facebook dele e encher o saco em todas as postagens. Pensei que ele ia ser diferente. Mas é sempre assim, depois que se elegem esquecem do povo. Por isso nunca vendi meu voto!
-Pois é rapaz, nunca consegui entender quem faz isso. Porque depois são esses caras que decidem o que podemos ou não fazer. Eles impactam nas nossas vidas. Apesar de ninguém perceber isso.
-É que nada! Depois dessa eu nem quero saber de política. Quero que tudo se exploda. Vou anular meu voto a partir de agora.
-Pois é. Não vai me dizer que tu votou no alfredinho?
-Não, não….
-Olha lá! Olha na TV o safado dando entrevista para explicar a roubalheira. Sem noção. Pode ver que é inocente o coitado.
-Papai! Teu amigo ta na TV. - Interrompeu o filho do Zé.
-Amigo? Não filho… é o vereador.
-Então, aquele que te deu geladeira de natal.
-Geladeira Zé? Que é isso?
-Não, não filho tais enganado, o pai comprou a geladeira. - Disse o Zé, sem jeito e todo vermelho.
-Pai ele trouxe aqui, eu lembro.
-Não, não…. É.... vai lá jogar video game vai…. Esse menino, sempre vendo coisas que não existem. Visse o jogo? Que goleada heim!?
-Viram o Alfredinho? um ano como vereador e já tá com suspeita de corrupção.
-Vais esperar o que de um político, mas eu não to sabendo, o que aconteceu? - Perguntou Zé.
-Então rapaz o Gaeco bateu lá e pegou vários documentos. Parece que ele tava cobrando parte do salário dos assessores e, também, queria que o suplente desse metade do salário dele para ele se ausentar e o cara assumir. Além de um esquema com uma empreiteira, parece que até o prefeito tava envolvido.
-Bando de vagabundo! Por isso que eu não vendo meu voto. Fica esses caras roubando nosso dinheiro, ficando rico. Vê o João, não tinha nada! E hoje olha o que ele tem. Tudo depois que entrou na política.
-Vais esperar o que de um político, mas eu não to sabendo, o que aconteceu? - Perguntou Zé.
-Então rapaz o Gaeco bateu lá e pegou vários documentos. Parece que ele tava cobrando parte do salário dos assessores e, também, queria que o suplente desse metade do salário dele para ele se ausentar e o cara assumir. Além de um esquema com uma empreiteira, parece que até o prefeito tava envolvido.
-Bando de vagabundo! Por isso que eu não vendo meu voto. Fica esses caras roubando nosso dinheiro, ficando rico. Vê o João, não tinha nada! E hoje olha o que ele tem. Tudo depois que entrou na política.
-Pois é, porque será neh!?? Esses caras sempre se elegem. Podem ter roubado um caminhão de dinheiro que no outro ano estão lá novamente. O povo é muito burro. Vende o voto e depois quer cobrar.
-Mas não me admira. Esse Alfredinho um dia fui pedir ajuda para ele e ele me negou. Disse que tava brigado com o prefeito e não tinha como conseguir a cirurgia da mulher. Fui em outro. Também fiz questão de ir lá no facebook dele e encher o saco em todas as postagens. Pensei que ele ia ser diferente. Mas é sempre assim, depois que se elegem esquecem do povo. Por isso nunca vendi meu voto!
-Pois é rapaz, nunca consegui entender quem faz isso. Porque depois são esses caras que decidem o que podemos ou não fazer. Eles impactam nas nossas vidas. Apesar de ninguém perceber isso.
-É que nada! Depois dessa eu nem quero saber de política. Quero que tudo se exploda. Vou anular meu voto a partir de agora.
-Pois é. Não vai me dizer que tu votou no alfredinho?
-Não, não….
-Olha lá! Olha na TV o safado dando entrevista para explicar a roubalheira. Sem noção. Pode ver que é inocente o coitado.
-Papai! Teu amigo ta na TV. - Interrompeu o filho do Zé.
-Amigo? Não filho… é o vereador.
-Então, aquele que te deu geladeira de natal.
-Geladeira Zé? Que é isso?
-Não, não filho tais enganado, o pai comprou a geladeira. - Disse o Zé, sem jeito e todo vermelho.
-Pai ele trouxe aqui, eu lembro.
-Não, não…. É.... vai lá jogar video game vai…. Esse menino, sempre vendo coisas que não existem. Visse o jogo? Que goleada heim!?
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Imponderável Futebol Clube
O futebol é o esporte mais imprevisível. É o local onde o imponderável tem vez e como na vida, um lance, um erro ou um segundo podem ser fatais. E nos viciamos como as pessoas que vivem em cassinos esperando a grande vitória. O dinheiro que, dificilmente, virá. Talvez por essa nossa predisposição de nos apaixonarmos por adrenalina, muitas vezes não enxergamos a cruel realidade desse esporte. É simples, na verdade. Como aquele viciado que joga no caça níquel apertamos os mesmos botões esperando acertar a combinação. Em campo, tenta-se de tudo em busca do gol. Já que sem isso não se tem os três pontos necessários para subir na classificação e buscar o primeiro lugar. Porém devido à nossa paixão, esquecemos do imponderável e acreditamos que, realmente, um grande investimento é igual a vencer. Assim, nos enganamos. O Criciúma já teve muito dinheiro e ascendeu rápido, porém a queda foi igualmente rápida. A verdade é que pode-se ter o maior investimento, os melhores jogadores e a maior torcida e, mesmo assim, a derrota virá. Afinal, tudo se resume em 22 jogadores, uma bola e um árbitro. Claro que um grande time aumentam as probabilidades de sucesso, mas isso não é garantia de êxito. Basta observar, por exemplo, um Manchester United, time mais rico do mundo, perder uma partida para o fraco Huddersfield. Ou um Real Madrid ser eliminado da Copa do Rei pelo Leganés. Por isso posse de bola, volume de jogo e oportunidades de gol nem sempre trazem os três pontos. Já que o imponderável é a força que une e nos faz amar esse esporte. Como no clássico entre Criciúma e Avaí. Um erro, uma bela cobrança de falta e a bola na rede. Foram 90 minutos de pressão, mas o leão da ilha em dois, conseguiu a vitória. Foram no máximo três ou quatro chutes a gol do time da capital, enquanto o tricolor teve 10 chutes. Porém bastou apenas de um para que o resultado fosse construído. Não foi time, não foi tática… O imponderável agiu novamente. A bola gostou da trave. Claro, que a equipe precisa evoluir e precisa de reforços, mas dentro do futebol existem momentos que não tem explicação. Simplesmente acontecem para nos fazermos lembrar o porquê de o futebol ser tão amado: a mágica do imponderável.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Uma foto, um vídeo e um segundo
Um vídeo, uma foto e um segundo. Tudo o que é necessário para se destruir uma vida ou de familiares de vítimas. Tal a velocidade de compartilhamento entre as pessoas nas mídias sociais. Comentários de pessoas que acreditam, sim, que podem julgar ou serem julgadores dos fatos, como se os presenciasse do conforto de casa. O caso do acidente nesse que vitimou um casal em Içara, é, apenas, uma mostra do quão a sensibilidade está perdendo o valor. Como se tudo fosse um filme. O desejo de compartilhar, de ganhar curtidas e de, através disso, sentir uma sensação de importância dentro da sociedade é mais forte. E, assim, perdese o valor da vida humana. Familiares recebendo tais fotos e vídeos, como se quisessem lembrar de seu ente querido daquela forma. Muitas vezes na ânsia de fotografar/filmar e compartilhar esquece-se da realidade, como se tudo aquilo existisse, apenas, no virtual. A noção de humanidade está morrendo e o valor de um ser não se mede mais pelas obras construídas, mas sim pelas curtidas e “likes”. Por isso temos que tomar cuidado a todo o momento sobre o que compartilhamos, filmamos ou fotografamos. Até as mais inocentes imagens podem ser utilizadas em notícias falsas e causarem prejuízos inimagináveis. Principalmente, pelo julgamento dos comentários feitos na sala de casa. Como se do outro lado da tela não morasse uma vida. Enquanto essa ânsia por ser o portador das notícias e de estar “antenado” toma conta, vidas se perdem. Não podemos esquecer que o mundo está fora dos nossos smartphones. Ele está ao nosso redor, em nossas atitudes e no jeito em que tratamos os outros. Muitas vezes parecesse que as mídias sociais potencializaram o que há de bom, com debates e críticas construtivas, mas, também, o que existe de ruim na sociedade. Com as fofocas e o julgamento, como se todos fossemos superiores. Não podemos deixar a sensibilidade e o bom senso morrerem nessa ansiedade de mostrar aos outros os fatos. Tenhamos consciência do que passamos à frente e do que postamos em grupos e conversas privadas. Porque basta um segundo para acabarmos com a vida de alguém ou com a nossa. Basta uma foto ou vídeo para dilacerarmos uma família. Já que não temos controle sobre a repercussão dessas atitudes no mundo virtual.
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Crônicas de um intercambista: O roubo!
Era tarde da noite, tínhamos chego em Londres em um dos aeroportos longe da cidade, já que havíamos viajado com uma empresa de baixo custo. Segundo nosso planejamento essa era a noite de dormir no aeroporto de Gatwick, se não me falha a memória. Observamos o lugar e como iríamos para a cidade, de trem, táxi ou ônibus. A fome começou a surgir e buscamos umas lojas que ficavam abertas 24h no aeroporto. Uma dessas não possuía caixa, apenas umas mulheres que ficavam repondo as prateleiras. Era toda aberta e você pegava o produto passava no caixa eletrônico colocava dinheiro ou cartão e recebia o troco. Começamos a andar pelas prateleiras para escolher o que iríamos comer, foi quando em uma deles vi um jovem de uns 25 anos, com cabelos castanhos. Ele agia estranhamente. Cheguei na prateleira em que ele estava foi quando vi ele abaixar uma bolsa preta abrir o reco, pegar os chocolates todos e jogar dentro. Chamei meus amigos:
- Olha lá, ele está roubando, o que a gente faz?
Enquanto isso, as meninas da loja cuidavam do estoque de outra prateleira. Sem saber muito o que fazer e com medo. Observamos a cena que durou segundos até ele perceber que estávamos vendo-o. E assim, como uma corrida de 100m, ele se desfez, antes de qualquer reação. Era páscoa, acreditamos que por isso ele havia levado tantos chocolates.
- Viu!? Falam que é só no Brasil.
- Pegou chocolate para toda a páscoa, senhor.
- Só, toda a prateleira!
Comentamos, ainda sem entender a cena que havíamos presenciado. Pegamos os sanduíches e fomos comer em um canto do aeroporto. Arrumamos umas cadeiras e dormimos. Depois de um tempo resolvemos buscar outro espaço que tinha umas espreguiçadeiras. Foi quando ouvimos um latido. Dois policiais fortemente armados, com um cachorro revistaram todos os cantos em busca de bombas, acreditamos. Uma cena que não se vê todos os dias. Vimos, após um tempo, o pequeno ladrão ir em direção aos trens e partir. Dormimos, juntamente, com diversas pessoas. Às 6h da manhã acordamos e assim começava nossa jornada em Londres.
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
O futebol e a sorte
“Venceu, mas não convenceu”, um frase comum no futebol. Isso ocorre porque esse é, simplesmente, um dos esportes coletivos mais imprevisíveis. Como a vitória do Criciúma ante a Luverdense. A realidade é que a sorte tem mais influência no resultado de uma partido do que nós torcedores queremos acreditar. Obviamente o treinamento e o estilo de jogo contam para se ter superioridade, mas, ao mesmo tempo, isso não é garantia de bola na rede. O evento mais raro, dentro do futebol, é o gol. Por isso no começo do campeonato embora o tricolor tivesse mais posse de bola ou, até mesmo, finalizado mais não conseguia vencer. Os analistas esportivos Chris Anderson e David Sally no livro “Os Números do Jogo” mostram que a sorte tem um papel mais importante do que possamos imaginar ou aceitar. Sendo um fator determinante em pelo menos mais de 20% das partidas. Quantos jogos vimos uma superioridade durante a partida ser derrubada por uma chance do time adversário? Por isso eles analisaram quantas vezes os times “favoritos” vencem partidas em diversos esportes. Na temporada de 2010 a 2011 eles analisaram a Liga Inglesa de Futebol, a NBA (Basquete), NHL (Hockey), NFL (Futebol Americano), entre outros. Na NBA, por exemplo, em 80% da partidas o time com superioridade técnica venceu, na NHL e NFL foram mais de 60%. Já no futebol esse número foi um pouco maior que 50%. Ou seja, quando um time entra em campo, apesar do favoritismo ou de ter o melhor elenco ele tem as mesmas chances de ganhar do que quando jogamos cara ou coroa. A Luverdense foi superior ao Criciúma, porém, não marcou mais gols. Tudo se resume a isso. Por isso no começo do campeonato, apesar de ser superior, a equipe não vencia. Apesar de existir uma coerência nos números e uma lógica dentro desse esporte, a sorte tem um espaço garantido dando uma pitada e trazendo o imprevisível. Como a eliminação do Internacional para um desconhecido Mazembe. Por isso, nem sempre jogar bonito é vencer. Ou ter os melhores garante o título. Como no caso do Leicester City, a pequena equipe que foi campeã do maior campeonato do mundo a Premier League. Como diz uma frase no museu do Chelsea: “Não existe essa coisa de futebol feio ou bonito. O que existe é futebol vencedor”. Essa imprevisibilidade da bola e a influência que a sorte tem no jogo, talvez sejam os fatores que passam despercebidos por nós torcedores, mas, com certeza, são o tempero que move a paixão por um dos esportes mais populares no mundo. O futebol e a sorte, uma mistura viciante.
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
O Ser esportista
São 90 minutos que podem decretar o fim de uma carreira. Toda uma vida resumida em dois tempos de 45 minutos. Basta uma atuação ruim e na outra partida o banco aguarda. Toda uma vida de preparos e batalhas para se profissionalizar. Para estar entre aqueles menos de 10% que viram realmente atletas, após a base. Uma vida sendo jogada em todas as partidas. Desafiando lesões, dias ruins e a crítica. Poucos sabem como é o apagar das luzes do estádio. Ter um família que conta com seus pés para, enfim, construir algo ou até sair da fome. Seja na piscina, no tatame, na quadra ou em um campo, poucos entendem o ser atleta. Aquela adrenalina de desafiar o próprio corpo. Aquela obrigação, que recai sob a maioria, de ter sucesso. Enquanto você lê este texto, tente imaginar quantas crianças, adolescentes e jovens estão treinando e dando seu sangue em busca desse sonho. E quando, finalmente, alcançam o tão sonhado troféu vem com ele o julgamento dos incapazes ou ignorantes. Que realmente acreditam que é só um jogo. Que vêem apenas os louros do ser atleta. O ser esportista é algo a se estudar. Enquanto vivemos uma vida comum eles estão lá treinando horas e horas, sem parar. Porque na realidade não existe talento que substitui a prática. Já que quando a luta começa não tem mais tempo. Aqueles serão os segundos ou minutos que definirão o futuro. Enquanto do sofá julgamos os resultados e até os chamamos de mercenários, principalmente, jogadores de futebol, esquecemos de tudo que se passa até chegar no palco principal. Das batalhas, da entrega e das horas sem ver os familiares que esses esportistas passaram. Tudo parece fácil. Como a judoca brasileira que perdeu nas olímpiadas de Londres e recebeu diversas ofensas, tendo sua redenção no Rio com o ouro. Esquecemos que do outro lado da tela existem seres humanos. Do alto de nosso sofá cremos que é fácil. Mas a verdade é que os atletas treinam tanto que fazem parecer simples. Enquanto isso o esporte segue dando uma segunda chance para a vida de crianças e adolescentes que, provavelmente, acabariam na cadeia ou mortos. E isso no mundo todo. Como o pugilista Manny Pacquiao, um dos maiores da atualidade. Que saiu de uma casa feita com folhas de bananeira, em meio a guerra civil nas Filipinas, para brilhar nos palcos mais chiques e conceituados do boxe. Da fome à fartura. Mas como humanos que somos analisamos apenas a casca. Esquecemos de todo o conteúdo. Vemos apenas os bônus e esquecemos o ônus. E assim como o esporte, na vida, não existe vitória sem entrega, sem trabalho e sem derrotas.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
Crônicas de um intercambista: Uma lição de vida
Continuávamos a visita a Saint Michan’s Church, após ter encostado em uma múmia, havíamos saido para a rua. O guia caminhou uns 50 metros e abriu a segunda porta que dava para mais um corredor nefasto, daqueles que você vê em filmes da idade média, com diversas salas funerárias, digamos. Logo no início dois caixões dispostos, como em uma exibição e uma carta com uma letra claramente da idade média. Nos aproximamos um pouco para tentar ler o que estava escrito, mas era um pouco complicado entender aquela letra bem desenhada. Parecia que tinha saído dos filmes. O guia então nos explicou que aquele eram os corpos de dois irmãos irlandeses que tentaram libertar o país das mãos dos ingleses. O plano era simples, enquanto um agrupava guerreiros irlandeses o outro iria para a França em busca de reforços para a revolta. Porém devido a uma falha de comunicação, acredito que o pombo tenha voado para outros ares, os reforços franceses chegaram com uma semana de atraso e os ingleses já haviam controlado a rebelião e prendido o irmão que ficara. Resumindo, porque essa não é a grande lição, o rei da época condenou os dois a morte e escreveu aquela carta dando detalhes de como deveria ser a execução. Primeiro deveriam enforcá-los, mas até eles desmaiarem e posteriormente abrir as entranhas de ambos e deixar exposta até serem mortos. O que na execução não foi o que aconteceu. Uma daquelas aventuras que cedo ou tarde encontraremos nas telonas dos cinemas. Andamos mais uns dez metros e uma porta de madeira chamou a atenção. Apenas com uma pequena abertura. “Uma cela de prisão”, pensei. Mas ao olhar pela fresta diversos caixões se empilhavam. De todas as cores, com ouro e prata. Um mais chique que o outro. Até que observei no canto, um caixão de madeira simples. Sem nenhuma ornamento, cor ou verniz. Apenas algumas tábuas, feitas na pressa. “ Esse local, maior, que vocês estão vendo. É onde eram colocados a nobreza de Dublin. Lordes, duques e afins”, explicou o guia. Agora havia entendido os ornamentos e a pompa, mas e aquele caixão? “Se vocês verem tem um ali ao lado, que é diferente dos outros. Simples. Esse foi um lorde que todos odiavam, inclusive a sua família. Ele era muito ruim com todos. Por isso, quando ele morreu ninguém o homenageou e o colocaram nesse caixão como uma forma de vingança e humilhação”, falou o guia. Na horas, começamos a nos olhar como se pensássemos:“Será que terminaremos assim? Ele devia ser ruim mesmo”. Acho que todos começaram a imaginar seus funerais. Que compareceria? Será que somos ruins assim? Quantas pessoas conhecemos que colocam o orgulho acima de tudo e esmagam o próximo? Triste fim para o Lorde. Porém quanto sofrimento ele não deve ter causado? “Ninguém pode ser tão ruim, que até a família o odeie”, pensei. Porém, diversos casos existem por aí. Pessoas tão vazias e cheias de orgulho que não enxergam o real impacto de suas ações e palavras nas pessoas a sua volta. Será que estamos no caminho certo? E nesses segundos toda a minha vida passou por meu olhos. Amigos, família… Tudo. Assim, aprende a grande lição: “Seja bom e ame a todos, principalmente a família, porque no fim serão eles que decidirão qual caixão utilizar”.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
Reforma Trabalhista
É hora de começar o turno, Márcio coloca o seu jaleco e se preparar para ir ao torno começar o trabalho. No caminho, seu chefe o chama. “Estou com problemas! Não posso perder esse emprego’”, pensa. Ao chegar no escritório, o chefe olhando pela janela começa o discurso:
- Bom você sabe que estamos passando por problemas financeiros. Os pedidos diminuíram e precisamos reduzir custos. A crise está forte ainda.
- Sim, mas está voltando ao normal.
- Não, impressão sua. Bom, vou ser direto, o que acontece é que não temos mais condições de te manter aqui…
- O senhor está me demitindo? Depois de 20 anos! Tudo o que fiz por essa empresa…
- Calma! Não é bem um demissão. Podemos entrar num acordo. Te darei uma opção que ficará bom para nós e para você: o trabalho intermitente. Nós o demitimos, pagamos sua indenização e você nos devolve metade. Então continuará trabalhando.
- Mas isso não pode! Se vocês está me demitindo, porque eu te devolveria?
- Na verdade, estou lhe dando uma opção de continuar empregado. E claro que posso, você não viu a reforma? Estou tentando te ajudar aqui.
- Mas meu salário vai diminuir? E a insalubridade?
- Ah! O teu salário vai depender das horas que tu trabalhar. Hoje você recebe R$20 a hora, após a mudança será R$10. Insalubridade? Não visse o acordo com o sindicato? Não tem mais.
- Mas e o piso da categoria?
- Não serve para nada. No trabalho intermitente só as horas que você fará que importarão.
- Bom pelo menos a rescisão vai me dar um bom dinheiro.
- É... assim, mudou o cálculo então você receberá menos.
- Mas eu comecei a trabalhar antes de a lei ser aprovada.
- Bom, entre na justiça se não concorda. Então o que será? Vais continuar conosco? Sabe neh!? Não está fácil arranjar emprego.
- E o seguro?
- Não tens direito.
Márcio ficou fitando seu chefe, sem saber o que responder. Um turbilhão pensamentos. “Mas se eu for só demitido e não encontrar emprego? Não posso ficar sem trabalhar, minha família depende disso..”
- Tudo bem!
- Isso! Você tomou a decisão certa. Amanhã depositaremos o valor e você nos trás o combinado e já assina os papéis. Fechado?
- Fechado.
Apertaram as mãos e Márcio voltou ao trabalho. Ainda sem acreditar. “Todos falam que a economia está reagindo, estou trabalhando o mesmo que antes da crise”, pensava. Até conversar com seus colegas e descobrir que apenas os encarregados não estavam sendo demitidos e contratados como terceirizados ou para receber por hora trabalhada. “O que faremos?Nada? Pelo jeito...”, disse a si.
- Bom você sabe que estamos passando por problemas financeiros. Os pedidos diminuíram e precisamos reduzir custos. A crise está forte ainda.
- Sim, mas está voltando ao normal.
- Não, impressão sua. Bom, vou ser direto, o que acontece é que não temos mais condições de te manter aqui…
- O senhor está me demitindo? Depois de 20 anos! Tudo o que fiz por essa empresa…
- Calma! Não é bem um demissão. Podemos entrar num acordo. Te darei uma opção que ficará bom para nós e para você: o trabalho intermitente. Nós o demitimos, pagamos sua indenização e você nos devolve metade. Então continuará trabalhando.
- Mas isso não pode! Se vocês está me demitindo, porque eu te devolveria?
- Na verdade, estou lhe dando uma opção de continuar empregado. E claro que posso, você não viu a reforma? Estou tentando te ajudar aqui.
- Mas meu salário vai diminuir? E a insalubridade?
- Ah! O teu salário vai depender das horas que tu trabalhar. Hoje você recebe R$20 a hora, após a mudança será R$10. Insalubridade? Não visse o acordo com o sindicato? Não tem mais.
- Mas e o piso da categoria?
- Não serve para nada. No trabalho intermitente só as horas que você fará que importarão.
- Bom pelo menos a rescisão vai me dar um bom dinheiro.
- É... assim, mudou o cálculo então você receberá menos.
- Mas eu comecei a trabalhar antes de a lei ser aprovada.
- Bom, entre na justiça se não concorda. Então o que será? Vais continuar conosco? Sabe neh!? Não está fácil arranjar emprego.
- E o seguro?
- Não tens direito.
Márcio ficou fitando seu chefe, sem saber o que responder. Um turbilhão pensamentos. “Mas se eu for só demitido e não encontrar emprego? Não posso ficar sem trabalhar, minha família depende disso..”
- Tudo bem!
- Isso! Você tomou a decisão certa. Amanhã depositaremos o valor e você nos trás o combinado e já assina os papéis. Fechado?
- Fechado.
Apertaram as mãos e Márcio voltou ao trabalho. Ainda sem acreditar. “Todos falam que a economia está reagindo, estou trabalhando o mesmo que antes da crise”, pensava. Até conversar com seus colegas e descobrir que apenas os encarregados não estavam sendo demitidos e contratados como terceirizados ou para receber por hora trabalhada. “O que faremos?Nada? Pelo jeito...”, disse a si.
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Crônicas de um intercambista: O dia que toquei uma múmia
Era um dia de aula normal chegamos na sala e o professor nos avisou que teríamos um dia diferente. Íamos visitar uma igreja a Saint Michan’s Church. Era próxima da escola e fomos caminhando e conversando. Chegando lá pagamos a entrada e começamos uma visita interessante. Começando pelo orgão grande e muito bonito. Além de ter uma história rica sendo o instrumento onde George Frideric Handel tocou pela primeira vez a música Messiah. Mas o mais interessante estava abaixo da igreja. Continuamos o tour com o guia contando as diversas histórias da igreja que sobreviveu aos vikings. Sendo uma igreja cristã e depois protestante. Chegando a parte de fora ele abriu uma porta na lateral, que parecia com aquelas de filmes de tornados onde ficam os esconderijos. “ Na época cristã acreditava-se que ser enterrado embaixo de um igreja era sagrado. Primeiro essa honra era dada àqueles que mereciam, mas depois a igreja começou a vender os espaços”, explicou o guia. Entramos no primeiro corredor e parecia mais uma cela de prisão do que túmulos. Pequenos espaços com grade e caixões. Até que no final uma parte estava sem grade e alguns corpos estavam a mostra. Devido a ventilação o local dos corpos tem o perfeito estado para a mumificação. Logo estavam bem conservados.Estavam a mostra devido a ação do tempo. Notamos que em um dos caixões o corpo estava sem os pés. “ Quando não cabia no caixão eles cortavam partes do corpo para caber”, disse o guia. Lá no fundo um corpo me chamou atenção. Era de uma estatura média e segurava uma espada. “ Aquele acredita-se ser de um cruzado e dizem que se você encostar no dedo direito dele traz sorte. Alguém quer tentar? Podem ir lá”, disse o guia. Como bom turista, fui sem exitar. E encostei nos dedos daquele cadáver da idade média. Uma foto e acredito que passou um pouco de sorte. Pode até ser. Porém toda a história por trás disso era muito fantástica. Teoricamente todos os espaços continuam ativos, já que foram vendidos por diversas famílias. Saímos então do primeiro corredor. O guia abriu a segunda porta e uma lição de vida seria ensinada nesse dia. Porém, deixemos este mistério para a próxima crônica.
segunda-feira, 19 de junho de 2017
Estado Policial
Recentemente o ministro do STF Gilmar Mendes proferiu um discurso que foi transmitido pelo Youtube. Foram 40 minutos de fala, sendo que uma expressão me chamou a atenção: “Estado Policial”. Disse ele: “É preciso colocar limites. Não podemos despencar para um modelo de Estado Policial…”. O que seria esse modelo? Será que estamos indo nessa direção? Não precisamos ir muito longe. Saíndo da política, na última semana, quando um jovem de 23 anos teve sua vida interrompida por bandidos, em Navegantes. Quantos jovens como esse já perderam a vida só nesse início de ano? Indo para o futebol apenas em um final de semana praticamente duas brigas de torcidas foram registrada. Um sendo entre apoiadores do mesmo time. E outro sendo justificada pelo fato de que a torcida organizada adversária avançou onde estava localizada a loja do organizada do outro time e que esta estava lá para proteger o local. Como se fosse o velho oeste. Como se fosse uma guerra, quando se deixa um batalhão cuidando da base. E o que se faz? Praticamente nada, ou zero. A impunidade faz parte do dia a dia da nossa sociedade. Porém basta ricos, políticos e os próprios membros do judiciário serem presos e investigados que aparecem termos como este. Gostaria de saber em que mundo vivem estes poderosos de Brasília? O ministro esquece que nunca iremos cair em um “Estado Policial”, porque o país já está dominado. Facções criminosas que assassinam candidatos a vereador no Rio de Janeiro para que os seus vençam. Candidatos a governador financiados pelo tráfico. O Comando Vermelho e o PCC já movimenta mais dinheiro que muitos estados brasileiros. E continuam tentando dominar todo o país, encontrando resistência e promovendo chacinas como vimos no Amazonas. A verdade é que estamos, sim, despencando para um modelo de “Estado Banditatorial”. Quem me dera poder viver nesse modelo proposto por Gilmar Mendes. Afinal se não houvessem tantos bandidos em todas as esferas, não estaríamos vivenciando esses episódios. Não existiriam operações da Polícia Federal nem investigações. Até porque, como teríamos um “Estado Policial”, se nem efetivo temos? Se faltam cadeias para abrigar tantos presos? - motivo pelo qual vários delinquentes continuam soltos na rua e nos estádios de futebol. Se não fossem as leis, frouxas e velhas que não se modernizam diante de tantas turbulências no câmara? Pense nisso. É hora de construirmos um futuro melhor. É hora de reformar e renovar a administração pública, porque no fim do dia tudo se volta a precarização dos órgãos públicos em todas as áreas. O Brasil está em uma das mais perigosas guerras: a silenciosa.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Crônicas de um intercambista: “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”
“Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, o documentário que vai de lápide em lápide contando histórias da humanidade e dos personagens inventados, era isso o que se passava em minha mente. Estávamos a alguns metros abaixo do chão, em Paris, última cidade de nosso mochilão. O ambiente um pouco escuro dava a ambientação perfeita para as Catacumbas da cidade. A cada novo passo a frase título fazia mais sentido. Pilhas de ossos e diversas “galerias” sendo que, geralmente, os crânios formavam uma figura. Paro, uma delas me chama a atenção. “Um coração, que loucura”, penso. Placas de diversos cemitérios e anos. De 1800, 1864.. e por aí vai. Sem saber onde colocar os ossos dos cemitérios da capital francesa, um dos reis decidiu utilizar os túneis do império romano para o armazenamento. Durante o Iluminismo foi criado a única parte para a visitação. O exercício principal é imaginar o porque de aquelas vidas terem sido perdidas. “Esse morreu em um duelo, olha o buraco no crânio onde a bala passou”, imagino. Crio diversas histórias. Minha imaginação voa, mas um fato me chama a atenção. Todos eram iguais. Não havia distinções de riqueza, cor de pele, sexualidade e afins. Simplesmente diversas pilhas de ossos. Sem distinção. Não tem como não pensar em toda a nossa vida ou refletir sobre a nossa existência como humanos aqui na terra. Afinal, no fim, somos todos iguais. Feitos de carne e osso. De desejos e sonhos. De amor e ódio. Roupas, carros e festas caras nos definem? Não nas Catacumbas. Local onde jazem ricos e pobres, brancos e negros, homo e heteros… Todos iguais. Perdemos tanto tempo brigando e nos dividindo, com opiniões ferrenhas e fechadas, mas a vida não é assim. Muda constantemente. Cada dia perdido em discussões e brigas bobas é descontado de nosso tempo na terra. Viver é estar vivo. É viajar pelos dias e aproveitar as horas. É o cheiro do orvalho, o sorriso de uma criança. É o abraço amigo, a paixão… viver é amar. O sol começava a aparecer era fim da nossa visita as Catacumbas. Saímos em uma das tantas ruas de Paris. Hora de comer algo, voltar para o hotel e rumar para a nossa casa. Apenas com um certeza no coração: “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”. Hora de aproveitar cada segundo na terra.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Escasso tempo
O tempo… Escasso e contado segundo a segundo. Muitos falam em prisão e falta de liberdade. Porém acredito que nossa maior cela, seja o tempo. Não temos como fugir, não temos como impedir que ele passe e quando vemos já é hora de partir. Ultimamente, cada nova hora um novo compromisso e, talvez, por isso ele se esvaia tão facilmente de nossas mãos. Porém quando estamos no campo, sem nenhum encontro ou atividade, apenas com a missão de ficar na varanda vendo-o passar é que essa velocidade diminui. Machado de Assis em um de seus textos dizia mais ou menos assim: “O maior monstro é o relógio de parede, só o de minha casa já devorou duas gerações de minha família”. Inevitável… Agora a grande pergunta é: O que fazemos com esse tempo? Muitos ficam invejando os mais ricos ou então desejando mulheres ou homens perfeitos dignos comercial e se perdem. Vivem na imaginação ou na espera de alguém perfeito. Outros vivem a procura de dinheiro, aplicando golpes e passando por cima de quem estiver em sua frente. Não enxergando pessoas, mas sim cifras ambulantes. Bajulando os ricos e renegando quem não o seja. Muitos gastam sua única vida perdido em drogas e festas sem parar. Quando acordam …. Já é tarde demais. É por isso que devemos procurar aproveitar o cantil inútil das horas que enchemos a cada dia. Viajar, fazer novos amigos e buscar sempre auxiliar ao próximo. Afinal, a cada dia vivido descontamos um no relógio da vida. Os segundos estão passando, o ponteiro não para… É hora de construirmos nossa estrada. “Não pare na pista é muito cedo pra você se acostumar/ Meu bem não desista, se você para o carro pode te pegar”, cantava Raul Seixas. Não podemos parar…. Vamos viver cada segundo, até porque não sabemos quando o relógio irá parar.
quinta-feira, 25 de maio de 2017
Crônicas de um intercambista: O landlord sem noção
Estava dormindo em minha cama, tranquilamente, quando começou a batida na porta. “De novo não”, pensei. Fingi que não tinha ouvido e continuei a dormir. De repente a porta do quarto se abriu e fechou rapidamente. Era ele novamente, o landlord sem noção. Ele tinha uma cabelo grisalho e já devia estar na faixa dos 50 anos. Estava a procura do Denis, um dos que moravam comigo, naquele “apertamento” de dois quartos, cozinha e banheiro. Por um tempo, ele não aparecia no local. Porém quando começou eram praticamente diárias as visitas. E todas as vezes a procura do nosso amigo das Ilhas Maurício. Sentava em uma cadeira e ficava conversando e conversando com ele sem parar. Era um incômodo para todos.
- Não aguento mais ele! Eu vou me mudar! É todo dia, só vem aqui. Ele é louco!
Reclamava sempre o meu amigo. E eu já a procurar outro local. Era bem localizado o apartamento. Bem no centro, ficava a cinco minutos da escola onde estudava inglês. Os meus roomates eram muito legais e gostava de morar. Porém o preço do aluguel e aquele incômodo permeavam meus dias. Nunca se sabia quando começariam as batidas na porta. Por diversas vezes fingíamos que estávamos dormindo e ele ia direto no quarto a procura de Denis. Incontáveis vezes estávamos na sala conversando quando ouvíamos as batidas. Olhávamos um para o outro e todos iam se “esconder” em seus quartos. O cara era tão inconveniente que mesmo sem resposta abria a porta, entrava e ia bater nos quartos.
- Teu namorado está te chamando Denis.
Brincávamos. Acredito ainda que ele estava apaixonado pelo Corinthiano Diego que dividia o quarto comigo. Já que no pequeno prédio havia mais uns cinco apartamentos e ele só ia onde morávamos. Brincadeiras a parte. A situação só foi melhorar quando me mudei. Adorava o pessoal da casa e tenho certeza que essas amizades é que ficarão. Mas quando se é intercambista tem que se buscar opções mais em conta. E com o landlord sem noção, foi a gota d’água. E foi assim que fui parar no 44 Seville Place, uma casa que tem muitas histórias para serem contadas aqui. E sim, me mudei bastante enquanto estava na Irlanda. Em oitos meses foram três mudanças ao todo. O que me permitiu conhecer muitas pessoas e, também, muitas histórias. E landlord para quem não sabe é o locatário. Quanto ao destino daquele sem noção, nem quero saber.
terça-feira, 23 de maio de 2017
O orgulho de ser brasileiro
“ Minha terra tem palmeiras,onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá…”. O trecho do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias é uma ode à saudade que permeia os dias daqueles que foram “exilados” do Brasil. Milhares que tentam a vida em outros países. Com a certeza, porém, em seus corações de que não há no mundo lugar melhor que sua casa. O orgulho de ser brasileiro. Algo que precisa ser resgatado. Apesar de toda a corrupção e da falta de infraestrutura e segurança. Apesar de muitas vezes vivermos no caos. Ser brasileiro é muito mais que isso.É samba, feijoada e bola no pé. Alegria, bom humor e força. Força para nunca desistir. Isso é o que define o nosso povo. Perfeito? Longe disso. Mas é quando se está fora do país que se percebe o quanto se ama ou não a sua casa. Colocar aquele samba para bater a nostalgia, ou então um sertanejo, um axé e assim vai. Os ritmos que embalam a nossa sociedade. Aposto, que se vivêssemos como no primeiro mundo, ninguém abandonaria o Brasil. Ninguém seria forçado a ir ao “exílio” para tentar uma vida melhor. Ao menos uma vida onde se tenha dignidade e que todos os seus bens não sejam divididos em parcelas. Temos muitos problemas: corrupção, sucateamento da saúde e educação, falta de infraestrutura e assim vai. Porém no fim do dia, quando o sol desce o horizonte e aquela bela paisagem se forma você entende o porque de amar tanto esse país. Não podemos pensar que nossas mazelas nos definem. Não podemos deixar que isso aconteça. Somos muito mais que isso. O Brasil é maior que todos nós. Não podemos deixar morrer a chama verde e amarela dentro dos nossos corações. Nem tampouco ter orgulho de nosso país apenas quando a Seleção entra em campo. Tudo o que estamos passando é a nossa adolescência. Esse período da vida em que estamos em constantes crises. E dessa forma vamos nos encontrando e desenhando nosso futuro. É preciso desse caos para que a mudança ocorra. O que me preocupa,porém, não é o latido das ruas, mas o silêncio dos honestos. Temos que ser mais participativos. Quantas audiências públicas jazem vazias nesse momento? Quantas sessões plenários sem ninguém para acompanhar? Esse silêncio que preocupa. Não podemos pensar, porém, que isso é o que nos define. Que ser malandro é igual a ser brasileiro. O orgulho de sermos desta terra abençoada não pode morrer. Tenham certeza que todos aqueles que saíram das nossas fronteiras, vivem em nostalgia. Ouvindo samba, sertanejo, vaneirão, axé… Qualquer música que os traga de volta ao seu cantinho. Tenhamos orgulho de sermos brasileiros e que não desistamos do nosso país. Afinal, amanhã vai ser outro dia. Viva ao Brasil!
quinta-feira, 18 de maio de 2017
Crônicas de um intercambista: Um dia de terror
Era hora de irmos de Roma para Vienna. Já estávamos na fila gigantesca do embarque a horas e nada de o avião chegar. Passando mais algum tempo fomos liberados para entrar na aeronave. Logo ao subir a bordo percebi que o avião era diferente do que estávamos habituados. Ele era menor. Antes de preparar para a decolagem o comandante avisou “ todos os passageiros que tiverem objetos soltos, favor guardá-los”. Não tinha entendido o porque deste aviso. Pelo menos até a decolagem. Como era pequeno o avião balançava muito. Porém a viagem foi tranquilo. Até o momento que ouvimos dos auto falantes:
Não consegui escutar nada mais nada.Já que de repente a aeronave embicou em descida. Em um ângulo quase de noventa graus. Pelo menos essa era a minha sensação e dos meus amigos. “ Estamos caindo, fodeu!”, pensei me defendendo segurando o banco. E o avião continuava sua trajetória hora virando para um lado, hora para outro. E continuávamos sem entender o que estava acontecendo. O pânico de todos os passageiros ganhou uma voz:
- Estamos preparando para o pouso…
Não consegui escutar nada mais nada.Já que de repente a aeronave embicou em descida. Em um ângulo quase de noventa graus. Pelo menos essa era a minha sensação e dos meus amigos. “ Estamos caindo, fodeu!”, pensei me defendendo segurando o banco. E o avião continuava sua trajetória hora virando para um lado, hora para outro. E continuávamos sem entender o que estava acontecendo. O pânico de todos os passageiros ganhou uma voz:
- Madre de Dios!!! - Gritou um dos passageiros.
E o calvário continuava... O avião em descida, aparentemente, nada reta. E as orações a todo o vapor em nossas cabeças. Parecia uma montanha russa. Até que começamos a ver o aeroporto e, após, sentimos o solavanco das rodas tocando a pista de pouso. Transformando o terror em alívio. Era hora de conhecer as belezas da capital Austríaca.
E o calvário continuava... O avião em descida, aparentemente, nada reta. E as orações a todo o vapor em nossas cabeças. Parecia uma montanha russa. Até que começamos a ver o aeroporto e, após, sentimos o solavanco das rodas tocando a pista de pouso. Transformando o terror em alívio. Era hora de conhecer as belezas da capital Austríaca.
terça-feira, 16 de maio de 2017
Um segundo...
Um segundo e tudo mudou. As mãos que antes coloriam o mundo, agora jazem vazias. Os olhos que se enchiam de esperança, agora são feitos em lágrimas. As pernas que carregavam a bola, já não conseguem se mover. Um segundo. Um segundo e tudo poderia ter sido diferente. Talvez se não tivesse bebido tanto. Talvez se aquela curva não fosse tão fechada. Se outro carro não tivesse vindo em sua direção. Um segundo e a escuridão tomou conta de seu corpo e de sua alma. O som do pneu… foi tudo o que restou. Até abrir os olhos novamente e não sentir-se mais. Um momento breve que mudou o mundo, seu mundo. Agora já não desfilará mais pelos campos de society de sua cidade, nem pintará o mundo e as cenas da vida. Mais uma vítima. Do que mais mata no mundo: o trânsito. Um segundo foi o que precisou a vida para mudar seu rumo. Para matar a esperança que aquece o coração e que move cada ser. Os amores e amigos reaparecem. Muitos que há anos já não via mais. Porém apesar de todo amor, a solidão é o que acompanha seus dias. Uma luta solitária. Uma dor solitária. Se apenas aquele momento fosse diferente. Se naquela brevidade as pálpebras cansadas resistissem ao cansaço. Tudo mudou na brevitude e velocidade de uma raio solar. Um segundo… Apenas um segundo. E tudo o que conquistara se esvaiu e se perdeu no bolsão do tempo. Costumava viver plenamente e desfrutar dos prazeres do mundo. Agora, em sua cama, apenas assiste o noticiário. Na roleta-russa da vida… a bala foi desferida. Acertando a coluna e o coração. E uma palavra rodeia a mente: Por quê? Tudo aconteceu. A festa, a música e as mulheres. Hora de ir embora… Uma curva e tudo mudou. Talvez se não tivesse bebido, talvez se tivesse ido embora mais cedo ou pedido para outra pessoa dirigir. De nada adianta agora. Os olhos percorrem o quarto. O mesmo onde muitas aventuras e festas ocorreram. As lembranças são o único motor a funcionar dentro de si. Até que um sorriso aparece em sua visão. O amor… o amor é a resposta e a esperança novamente começa a acender em sua alma. Um segundo… Apenas um segundo e tudo seria diferente. A roleta-russa da vida disparou uma bala. Apenas um segundo.
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