quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Morte e Vida

Outro dia, a caminho de algum lugar que já não lembro, passei pela capela mortuária de meu bairro, o Rio Maina. E ali, ao lado do cemitério, pessoas aglomeravam-se para presenciar o último momento de uma pobre alma. Os carros ocupavam a maior parte da pista e a morte fazia com que as lágrima criassem um rio de arrependimentos dentro de cada ser. De súbito, eu que odeio velórios, lembrei-me de uma das minhas primeiras grandes perdas e voltei aquele dia de janeiro. Eu e meus primos tínhamos chego umas seis horas da manhã da noitada. Estávamos dormindo e fomos acordados para irmos a um almoço.

Chegando lá, almoçamos e depois de um tempo alguém do hospital, onde meu tio estava internado, ligou dizendo que ele estava passando mal. Todos os seus irmãos correram ao seu encontro e rodeado de irmãos ele deu seu ultimo suspiro. As lágrimas, presença inevitável na dor, fizeram-se presentes mais uma vez. Nós choramos por egoísmo, pois queremos ter aquela pessoa pra sempre e não suportamos não mais vê-la, mas isso é tema para outra crônica... Descobri, em meio aquele caos de consciência, que a morte é que dá tempero a vida. Se vivêssemos, como querem as religiões, eternamente, o tédio se tornaria nosso único irmão e os momentos não seriam mais aproveitados. Afinal, amanhã poderíamos ver nossos amigos novamente.

Nossa consciência do fim é que nos move. Precisamos da morte, pois sem ela não teríamos gosto pela vida. Saber que tudo vai acabar faz com que vivamos e procuremos à vida! ... Sem a morte, porém, talvez tudo se tornasse igual e monótono.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O ultimo romântico?

Hoje, com esta chuva, o dia parece passar lentamente e as lembranças do que se foi perdem-se na escuridão do meu quarto. Teu rosto, lívido e branco, surge na parede e rabisca, ao lado do meu rádio, frases de amor. Meu coração, como criança apaixonada, pensa em escrever besteiras. Escrever, aquelas coisas ridículas de um romântico que já não existe em nosso mundo.

Sinto vontade de te comparar as rosas, de cantar tua beleza e sentir o teu olhar sob mim. Porém creio que você não entenderá, ou achará ridículo. E na próxima noite, com aquele mesmo cara, você irá fingir ser feliz. Fingir, sim! Pois ele não se importa com você. Apenas quer te usar. Talvez, seja isso o que você quer. Não sei.... Já te falei sobre meu amor. Mandei-te meus poemas... E ,no fim, você nem os leu.

Talvez esse negócio de romantismo esteja mesmo morrendo devagar, como um soldado ferido na guerra: sangrando e perdendo a vida lentamente. Enquanto o hedonismo – prazer pelo prazer – cresce e move a máquina consumista. Na escuridão do meu quarto, sinto meu coração se apertar. Será que sou o último romântico? Creio que não. Apenas, sou mais um ridículo, tentando demonstrar meu lado mais afetivo.