segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O futebol e a sorte

“Venceu, mas não convenceu”, um frase comum no futebol.  Isso ocorre porque esse é, simplesmente, um dos esportes coletivos mais imprevisíveis. Como a vitória do Criciúma ante a Luverdense. A realidade é que a sorte tem mais influência no resultado de uma partido do que nós torcedores queremos acreditar. Obviamente o treinamento e o estilo de jogo contam para se ter superioridade, mas, ao mesmo tempo, isso não é garantia de bola na rede. O evento mais raro, dentro do futebol, é o gol. Por isso no começo do campeonato embora o tricolor tivesse mais posse de bola ou, até mesmo, finalizado mais não conseguia vencer. Os analistas esportivos Chris Anderson e David Sally no livro “Os Números do Jogo” mostram que a sorte tem um papel mais importante do que possamos imaginar ou aceitar. Sendo um fator determinante em pelo menos mais de 20% das partidas. Quantos jogos vimos uma superioridade durante a partida ser derrubada por uma chance do time adversário? Por isso eles analisaram quantas vezes os times “favoritos” vencem partidas em diversos esportes. Na temporada de 2010 a 2011 eles analisaram a Liga Inglesa de Futebol, a NBA (Basquete), NHL (Hockey), NFL (Futebol Americano), entre outros. Na NBA, por exemplo, em 80% da partidas o time com superioridade técnica venceu, na NHL e NFL foram mais de 60%. Já no futebol esse número foi um pouco maior que 50%. Ou seja, quando um time entra em campo, apesar do favoritismo ou de ter o melhor elenco ele tem as mesmas chances de ganhar do que quando jogamos cara ou coroa. A Luverdense foi superior ao Criciúma, porém, não marcou mais gols. Tudo se resume a isso. Por isso no começo do campeonato, apesar de ser superior, a equipe não vencia. Apesar de existir uma coerência nos números e uma lógica dentro desse esporte, a sorte tem um espaço garantido dando uma pitada e trazendo o imprevisível. Como a eliminação do Internacional para um desconhecido Mazembe. Por isso, nem sempre jogar bonito é vencer. Ou ter os melhores garante o título. Como no caso do Leicester City, a pequena equipe que foi campeã do maior campeonato do mundo a Premier League. Como diz uma frase no museu do Chelsea: “Não existe essa coisa de futebol feio ou bonito. O que existe é futebol vencedor”.  Essa imprevisibilidade da bola e a influência que a sorte tem no jogo, talvez sejam os fatores que passam despercebidos por nós torcedores, mas, com certeza, são o tempero que move a paixão por um dos esportes mais populares no mundo. O futebol e a sorte, uma mistura viciante.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O Ser esportista

São 90 minutos que podem decretar o fim de uma carreira. Toda uma vida resumida em dois tempos de 45 minutos. Basta uma atuação ruim e na outra partida o banco aguarda. Toda uma vida de preparos e batalhas para se profissionalizar. Para estar entre aqueles menos de 10% que viram realmente atletas, após a base. Uma vida sendo jogada em todas as partidas. Desafiando lesões, dias ruins e a crítica. Poucos sabem como é o apagar das luzes do estádio. Ter um família que conta com seus pés para, enfim, construir algo ou até sair da fome. Seja na piscina, no tatame, na quadra ou em um campo, poucos entendem o ser atleta. Aquela adrenalina de desafiar o próprio corpo. Aquela obrigação, que recai sob a maioria, de ter sucesso. Enquanto você lê este texto, tente imaginar quantas crianças, adolescentes e jovens estão treinando e dando seu sangue em busca desse sonho. E quando, finalmente, alcançam o tão sonhado troféu vem com ele o julgamento dos incapazes ou ignorantes. Que realmente acreditam que é só um jogo. Que vêem apenas os louros do ser atleta. O ser esportista é algo a se estudar.  Enquanto vivemos uma vida comum eles estão lá treinando horas e horas, sem parar. Porque na realidade não existe talento que substitui a prática. Já que quando a luta começa não tem mais tempo. Aqueles serão os segundos ou minutos que definirão o futuro. Enquanto do sofá julgamos os resultados e até os chamamos de mercenários, principalmente, jogadores de futebol, esquecemos de tudo que se passa até chegar no palco principal. Das batalhas, da entrega e das horas sem ver os familiares que esses esportistas passaram. Tudo parece fácil. Como a judoca brasileira que perdeu nas olímpiadas de Londres e recebeu diversas ofensas, tendo sua redenção no Rio com o ouro. Esquecemos que do outro lado da tela existem seres humanos. Do alto de nosso sofá cremos que é fácil. Mas a verdade é que os atletas treinam tanto que fazem parecer simples. Enquanto isso o esporte segue dando uma segunda chance para a vida de crianças e adolescentes que, provavelmente, acabariam na cadeia ou mortos. E isso no mundo todo. Como o pugilista Manny Pacquiao, um dos maiores da atualidade. Que saiu de uma casa feita com folhas de bananeira, em meio a guerra civil nas Filipinas, para brilhar nos palcos mais chiques e conceituados do boxe. Da fome à fartura. Mas como humanos que somos analisamos apenas a casca. Esquecemos de todo o conteúdo. Vemos apenas os bônus e esquecemos o ônus. E assim como o esporte, na vida, não existe vitória sem entrega, sem trabalho e sem derrotas.