sexta-feira, 22 de abril de 2011

A menina

A menina desce do carro e sorri quando vê sua mãe na esquina. Ela começa a correr como se estivesse defendendo o primeiro lugar em uma corrida de 100 metros. Ali naquele pequeno espaço de tempo e de felicidade, me percebo do outro lado da rua solitário e pensativo. Porque não corremos mais quando vemos nossos pais? Difícil de dizer. Talvez porque alguém escreveu em um manual qualquer que devemos ser “adultos” e defender nossas opiniões e nunca ouvi-los até quebrarmos a cara. Aliás, já não sorrimos mais com tanta facilidade, não sentimos saudades deles. Digo isso, pois vejo muitos amigos meus brigarem com a sua família e entrarem nas guerras familiares. Isso não é bom. Podes dizer o que for. Simplesmente é ruim. Pois quando você estiver triste e chorando a morte de seus entes, poderá perceber que a maior parte do tempo você ficou brigando com eles, ao invés de professar todo o seu amor. Ainda não sou pai, mas já percebo que a tarefa não é fácil, principalmente, quando os filhos crescem. Muitos se fecham em seu casulo e esqueçam a sua família, ou acham ridículos seus pais. Porém quem não é ridículo? Todos nós somos em algum momento. E enquanto penso isso, a menina termina sua olimpíada e abraça forte sua mãe que sorri de felicidade. Será que, quando crescer, esta menina terá toda esta felicidade ao ver sua mãe? Não vamos arriscar. Porém existe uma grande chance de ela começar a achar sua mãe careta e ridícula e tudo o mais que os filhos pensam. Mal sabe ela que todos os dilemas que ela enfrentará seus pais já enfrentaram. Não adianta amigos, podemos ter Ipod, Ipad, termos carros velozes e comunicação fácil... Mas nossa vida continua a mesma. Os mesmos dilemas. Continuamos buscando a atenção de outras pessoas para enchermos nosso ego e nos sentirmos vivos. Continuamos procurando algum grande amor, como naquele filme da idade média. Continuamos com todas as manias humanas. Ainda brigamos, falamos mal e tentamos impor nossas opiniões. Amigos, por isso vos digo, se quiserem ajuda procurem se utilizar da experiência de seus pais. Sempre dêem ouvidos a eles. Não façam tudo que falam claro. Porém escutem e reflitam. Enquanto ainda estamos crescendo e vivendo e experimentando, eles já estão buscando um pouco de paz e refletindo sobre coisas maiores que nós. Outra coisa... Vamos ser sinceros, somos parecidos com eles. Percebam. É como estava escrito em um livro que li há algum tempo. Ele dizia que os filhos homens geralmente brigam com os pais e gostam das mães, mas são mais parecidos com os seus pais. Já as mulheres são ao contrário, brigam com a mãe e amam o pai, mas são parecidas com suas mães. Acredito nisso. Agora a menina olha pra mim. Ela está de mãos dadas com sua mãe, sorri e me deixa só com meus pensamentos. Amigos, não percam tempo, amem seus pais.


terça-feira, 12 de abril de 2011

Para Viver um Grande Amor

Buscava um pouco de sabedoria. Peguei um livro de Vinicius, intitulado Para Viver um Grande Amor. Abro o elixir do conhecimento e da poesia. Meu coração salta e se emociona. Porém esta emoção não é dedicada a nenhum verso ou crônica escrita pelas mãos do poetinha. Os dizeres mais belos, de todo o livro, foram grafados por mãos leves de um sorriso fácil e batalhador. Simples sorrisos que por um tempo foram meu norte e formaram o cimento de meus dias. “Para meu poeta preferido. Amo você, beijão”. Até seu nome esquecera-se de colocar aquelas mãos. Disse-me para que colocasse, mas não quis estragar tão lindos dizeres e escritos com uma letra tão linda. Agora percebo que realmente não precisava estragar tão simples magia com minha letra feia, pois meu coração ainda lembra. Minha nume ainda curva-se ante as lembranças daqueles poucos, mas intensos encontros. Algumas festas... Abraços, beijos, os quais misturo na garrafa do tempo e bebo, bebo a cada segundo. Viciado que estou em relembrar aquela face bela que durante algum tempo foi meu norte. E por mais que o tempo passe e outra pessoa ocupe o lugar vago em meu corpo, aqueles versos simples grafados com amor e carinho sempre estarão em minha mente. Vagando pela imensidão do meu tempo, dos meus dias e da minha vida. Emocionei-me ao relembrar aqueles belos dias em que me vesti de luz e enfrentei a vida com a certeza de te ligar no fim do dia e contar minhas aventuras e você contar as suas. Fecho o livro. Tenho que ir para o jornal. É hora de trabalhar e depois estudar e, à noite, continuar minha leitura. Talvez consiga passar da capa e me deliciar com alguns versos do eterno Vinicius e, assim, com ele dividir minhas horas vazias. Talvez, no futuro, aquelas brancas e leves mãos escrevam mais e mais... Dentro de mim.