sexta-feira, 1 de março de 2013

A busca de um sonho

O menino de olhos castanhos para por um segundo, olha para o horizonte e vê seu futuro. Por um instante sua mente voa longe, fora da sua realidade de fome e desespero. A esperança volta a figurar em seu coração. De repente outros meninos começam a chamá-lo, despertando-o de seu sonho encantado. Com a mente nas nuvens e os pés na terra, ele coloca novamente a bola em campo. E o jogo da vida recomeça. Todos em busca de um sonho, ou melhor, do gol. Os olhos castanhos correm e acompanham cada movimento da bola. Sempre procurando alcançá-la, como os pequenos objetivos almejados em sua vida: trabalho, família, dinheiro e sucesso. Em cada passo a esperança se renova. “Passa, passa... Estou livre!”, grita nosso menino. Porém ninguém o escuta. Na frente da trave, berra cada vez mais forte. Esperando que os ventos do destino levem aquela, que ele sabe, será sua única chance de marcar o tão almejado gol. O time adversário rouba a bola. Nosso pequeno não esconde sua frustração, mas não para. Olha para a “gorducha” e corre em sua direção. Porém o jogador que a está portando é habilidoso e ninguém consegue roubá-la dele. Até que ele olha o goleiro e chuta certeiro no canto oposto. “Gollll!”, gritam seus colegas. “Como eu queria marcar apenas um gol em minha vida”, pensa o pequeno de olhos castanhos. Bola no centro e novamente a batalha por uma vida recomeça. Naquele campo de barro, nosso menino imagina um maracanã. “Um dia serei jogador”, pensa consigo. Lembra de sua família, sem dinheiro. Ele, novo, tendo que trabalhar. “Você joga muito bem, pode até ser jogador”, recordam aqueles olhos castanhos das falas de sua mãe. Seu pai? “Foi assassinado quando você tinha dois anos pelos traficantes”, falou sua mãe, quando ele a questionou. Nunca esquecerá a cena. De repente vê a bola da esperança correr em sua direção. “É agora”, pensou ao dominar a “gorducha”. Não esperava que apareceria, em sua frente, uma pedra. Um tropeção e pronto lá se foi sua chance de mostrar o seu talento. Porém o menino não se acanha. Levanta e continua sua batalha em busca de uma oportunidade. “Dizem que os meninos dos bairros são mais fortes que os da ‘cidade’”, diz um homem que observa a partida, para seu companheiro. E o gol, para nosso amigo, continua a ser perseguido, como o sonho de ser jogador. Talvez quando ele alcançar esse sonho, novos se figurem no querer do pequeno. Já que somos como os personagens dos desenhos animados, com varas nas costas e a isca à nossa frente, em uma perseguição inútil e sem fim por nossos objetivos. Ele não desanima e continua a correr sem parar. Pedindo para que a vida lhe de uma oportunidade, ou melhor, para que o destino passe a bola. Falando nela, novamente a “gorducha” está em seus pés. E lá vem o primeiro marcador. Um elástico e lá se vai nosso garoto, vencendo obstáculos. Até ficar de frente para o goleiro. Ele prepara, olha o canto e chuta firme. “Golll!”, gritam os outros meninos. Ele não comemora. Sabe que muitas batalhas ainda estão por vir no jogo da vida, até que o juiz apite o final.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Amor e Paixão

- Amiga, estou cansada. Uma hora ele diz que me ama, na outra volta atrás. Não sei mais o que pensar. É um vai e vém, toda hora! – comentava uma mulher com sua amiga.

- Toma uma decisão logo. Se ele não se decide, joga na parede. Diz que se ele não quiser ter um relacionamento sério, que procure outra. – respondeu a amiga.

- Mas eu tenho medo que ele se afaste. Amo muito ele.

- Nossa, conheceste ele faz um mês. Que amor é esse?

Neste momento, as duas olharam em minha direção e perceberam meu interesse no assunto alheio. Porém nos seus olhares, não existia amizade. Então abaixei minha cabeça, envergonhado por tamanha indiscrição, perguntando-me: “Que amor é esse?”. É engraçado como este sentimento anda banalizado. Um mês, e pronto, algumas mulheres acreditam ter encontrado o amor de suas vidas. Será que isso é carência? Pode ser. Porém o que me atenho é como o amor e a paixão são confundidas no “mundo real”. Sou daqueles que não acredita em “amor a primeira vista”, mas sim em paixão. Não se pode amar outro ser, apenas em um olhar. Porém alguma fagulha pode ser acesa. A paixão tem sintomas parecidos com o amor, porém com uma intensidade muito maior. O coração começa a arder, como um vulcão em erupção. A pessoa, objeto do desejo, não sai do pensamento e o frio na barriga aparece todas as vezes que, por algum motivo, esbarramos com tal pessoa. E quando isso acontece, a pele começa a sentir cada toque daquelas mãos, cada gesto passa a ter outro sentido. E sempre paira a duvida: “Será que ela (e) está afim?”. Quando a pergunta é respondida, e vem o primeiro encontro tudo começa a mudar. O encanto aumenta ou morre. E a cada novo jantar, se deu certo, a paixão vai aumentando. Até que, depois de alguns meses, vêm a grande decisão, o grande passo, ou melhor, a grande pergunta: “Quer namorar comigo?”. E assim o sentimento tende a crescer cada vez mais. E o amor? Bom o amor pode demorar a acontecer. Existem paixões que duram anos. O primeiro sintoma do amor, geralmente, aparece quando damos de cara com os defeitos do outro. Quando tiramos a maquiagem e olhamos a face limpa. E, assim, começa a tarefa difícil. Ainda existe aquela chama que arde, mas a intensidade é menor. O frio na barriga agora tem outros motivos. E sim! É uma tarefa difícil. Amar é aprender a conviver com as qualidades e defeitos do outro. É discutir e se reconciliar. É estar sempre dando forças e ajudando um ao outro. É querer estar sempre de mãos dadas. Compartilhar uma existência. Amar é ser amante e amigo. Conviver com as loucuras de um do outro e compreender que todos erramos e acertamos. E que perfeição só existe no dicionário. Por isso o perdão é a mãe do amor. Sem perdão, nenhum sentimento pode florescer. Então temos que tomar cuidado, ao sair por ai dizendo: “Eu te amo”, ou então acreditando que aquela pessoa, que conhecemos a pouco é o nosso amor. Já que a vida é muito mais rica que um conto de fadas.