segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Crônicas de um intercambista: O roubo!

Era tarde da noite, tínhamos chego em Londres em um dos aeroportos longe da cidade, já que havíamos viajado com uma empresa de baixo custo. Segundo nosso planejamento essa era a noite de dormir no aeroporto de Gatwick, se não me falha a memória. Observamos o lugar e como iríamos para a cidade, de trem, táxi ou ônibus. A fome começou a surgir e buscamos umas lojas que ficavam abertas 24h no aeroporto. Uma dessas não possuía caixa, apenas umas mulheres que ficavam repondo as prateleiras. Era toda aberta e você pegava o produto passava no caixa eletrônico colocava dinheiro ou cartão e recebia o troco. Começamos a andar pelas prateleiras para escolher o que iríamos comer, foi quando em uma deles vi um jovem de uns 25 anos, com cabelos castanhos. Ele agia estranhamente. Cheguei na prateleira em que ele estava foi quando vi ele abaixar uma bolsa preta abrir o reco, pegar os chocolates todos e jogar dentro. Chamei meus amigos:

- Olha lá, ele está roubando, o que a gente faz?

Enquanto isso, as meninas da loja cuidavam do estoque de outra prateleira. Sem saber muito o que fazer e com medo. Observamos a cena que durou segundos até ele perceber que estávamos vendo-o. E assim, como uma corrida de 100m, ele se desfez, antes de qualquer reação. Era páscoa, acreditamos que por isso ele havia levado tantos chocolates.

- Viu!? Falam que é só no Brasil.
- Pegou chocolate para toda a páscoa, senhor.
- Só, toda a prateleira!

Comentamos, ainda sem entender a cena que havíamos presenciado. Pegamos os sanduíches e fomos comer em um canto do aeroporto. Arrumamos umas cadeiras e dormimos. Depois de um tempo resolvemos buscar outro espaço que tinha umas espreguiçadeiras. Foi quando ouvimos um latido. Dois policiais fortemente armados, com um cachorro revistaram todos os cantos em busca de bombas, acreditamos. Uma cena que não se vê todos os dias. Vimos, após um tempo, o pequeno ladrão ir em direção aos trens e partir. Dormimos, juntamente, com diversas pessoas. Às 6h da manhã acordamos e assim começava nossa jornada em Londres.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O futebol e a sorte

“Venceu, mas não convenceu”, um frase comum no futebol.  Isso ocorre porque esse é, simplesmente, um dos esportes coletivos mais imprevisíveis. Como a vitória do Criciúma ante a Luverdense. A realidade é que a sorte tem mais influência no resultado de uma partido do que nós torcedores queremos acreditar. Obviamente o treinamento e o estilo de jogo contam para se ter superioridade, mas, ao mesmo tempo, isso não é garantia de bola na rede. O evento mais raro, dentro do futebol, é o gol. Por isso no começo do campeonato embora o tricolor tivesse mais posse de bola ou, até mesmo, finalizado mais não conseguia vencer. Os analistas esportivos Chris Anderson e David Sally no livro “Os Números do Jogo” mostram que a sorte tem um papel mais importante do que possamos imaginar ou aceitar. Sendo um fator determinante em pelo menos mais de 20% das partidas. Quantos jogos vimos uma superioridade durante a partida ser derrubada por uma chance do time adversário? Por isso eles analisaram quantas vezes os times “favoritos” vencem partidas em diversos esportes. Na temporada de 2010 a 2011 eles analisaram a Liga Inglesa de Futebol, a NBA (Basquete), NHL (Hockey), NFL (Futebol Americano), entre outros. Na NBA, por exemplo, em 80% da partidas o time com superioridade técnica venceu, na NHL e NFL foram mais de 60%. Já no futebol esse número foi um pouco maior que 50%. Ou seja, quando um time entra em campo, apesar do favoritismo ou de ter o melhor elenco ele tem as mesmas chances de ganhar do que quando jogamos cara ou coroa. A Luverdense foi superior ao Criciúma, porém, não marcou mais gols. Tudo se resume a isso. Por isso no começo do campeonato, apesar de ser superior, a equipe não vencia. Apesar de existir uma coerência nos números e uma lógica dentro desse esporte, a sorte tem um espaço garantido dando uma pitada e trazendo o imprevisível. Como a eliminação do Internacional para um desconhecido Mazembe. Por isso, nem sempre jogar bonito é vencer. Ou ter os melhores garante o título. Como no caso do Leicester City, a pequena equipe que foi campeã do maior campeonato do mundo a Premier League. Como diz uma frase no museu do Chelsea: “Não existe essa coisa de futebol feio ou bonito. O que existe é futebol vencedor”.  Essa imprevisibilidade da bola e a influência que a sorte tem no jogo, talvez sejam os fatores que passam despercebidos por nós torcedores, mas, com certeza, são o tempero que move a paixão por um dos esportes mais populares no mundo. O futebol e a sorte, uma mistura viciante.