quarta-feira, 30 de maio de 2012

O sol da esperança!

Por de trás dos montes verdes a bola incandescente e dourada começa a mostrar sua face encantada. Quanto mais aparece, maior o número de raios brilhantes que bombardeiam a terra. Levando, em cada feixe de luz, um pouco de vida. Desta forma reascendendo nos corações sonolentos a esperança de um novo dia. Abro os olhos, abro as janelas e deixo os raios entrarem, não apenas em meu quarto, mas em minha alma. Feridas, histórias mal resolvidas, dor, tristeza... Tudo se esquece enquanto os raios solares voam como borboletas por meu corpo e me aquecem. Mais um dia que nasce no horizonte da vida. Mais uma chance de mudar. Saio da minha escuridão. E naquele segundo me perco dentro de mim. Vejo nascer, por de trás das montanhas de fracassos, uma chama incandescente, mas colorida. Seus raios vão flutuando devagar e iluminam os porões do meu coração. Acordando fadas que antes dormiam. Ascendendo chamas que estavam apagadas. Levando um pouco de vida à escuridão antes sentida. Os raios continuam a ganhar território e no campo das ilusões banham o amor que já não respirava, fazendo-o acordar. Vendo o sol da esperança à iluminar os porões do meu ser, o amor corre e começa a acordar o seu antigo exército: a generosidade, a solidariedade, a compreensão e muitos outros soldados, dentre eles seu braço direito: o Perdão. Enquanto os raios acham perdida na cidade da descrença: a Fé. Esta que andava cabisbaixa, vendo a luz divina reascender a cidade, abriu seus olhos e sentiu seu coração novamente bater. E um por um os cavaleiros da escuridão são extintos. O Egoísmo tenta escapar, mas banhado pelos raios de luz, a Generosidade lhe golpeia e o faz cair. O lado negro, que por muito me dominara, estava perdendo a batalha. E assim o exército do amor foi derrotando o exército do Ódio. Porém a guerra apenas começara. Já que por muitos anos o Ódio dominou o meu reino encantado. “Brilha sol da esperança e nunca pare de brilhar!”, grita minha consciência. De repente uma voz doce rompe minha aventura e toca meus ouvidos:

- Amor feche a janela este sol não me deixa dormir. – afirma a minha pequena, enquanto a observo, com sua carinha de anjo, cansada de tanto trabalhar. Sem imaginar, porém, a revolução que acontecia em meu ser.

“Nunca mais fecharei esta janela”, penso enquanto observo-a deitada. Um novo dia, uma nova maneira de enxergar a vida. Uma oportunidade...



domingo, 4 de março de 2012

O jardim

Caminhava pelas estradas de meu bairro quando meus olhos fizeram meu corpo parar e ficar imóvel. Ali, atrás dos muros, observavam um jardim magnífico e logo entendi porque minhas pernas pararam. Rosas tomavam café com margaridas, jasmins cantarolavam enquanto os Girassóis filosofavam buscando a luz da verdade. Cada flor parecia desfilar por entre a grama... Desfilar pela vida. Umas mais egoístas outras orgulhosas de sua beleza, mas cada uma, dentro de suas imperfeições, cumprindo com sua missão de me fazer, humano que sou descer de meu pedestal e reconhecer o divino naqueles segundos de contemplação. Meu coração angustiado pelo futuro que há de vir, perde-se, sem preocupações, ante aquelas cores maravilhosas. “Quem as plantou?”, pergunto-me. Além da visão meu olfato se entrega... Jasmins... Ah! Os jasmins... Como queria deitar-me sobre suas pétalas para morrer de sentir o adocicado perfume daquela brancura. “Quanto tempo demorou para que estas flores crescessem?”, continuo a me questionar. “Será que valeu a pena esperar?”. E assim tento imaginar como foi o processo de construção daquela maravilha. Preparar a terra, desenhar onde cada flor seria plantada e, então, jogar as sementes. Após, esperar Deus fazer seu milagre e da inerte terra ver brotar um caule verde e sem graça. E deste caule as folhas, das folhas as primeiras flores. Porém cada flor demorando seu tempo para desabrochar... E logo recordo de minha infância e das sementes plantadas dentro de meu coração. Ali, naqueles poucos segundos, descubro que, dentro de suas imperfeições, as flores cumprem sua missão de alegrar, embelezar, perfumar e, mais importante de tudo, despejar amor à sua volta. Algumas flores morrem para que paixões possam nascer. Outras simplesmente vivem a procura do sol da verdade. E assim, cada uma, dentro de si, carrega seu fardo e cumpre sua missão sem se preocupar, me emocionando pela sua simplicidade. Olho para o céu e pergunto... “Jardineiro está feliz com sua angustiada flor?”