No meio de uma vida corrida, sem tempo para olhar pela janela e enxergar a beleza, parei ante a um sorriso angelical desenvolvido e estruturado por mãos perfeitas e por uma nítida vontade de aparecer bonita na foto. Era uma criança que sorria. A cada segundo de modo diferente. Se eu apontava a câmera ela parava e me fitava. Estava sendo a diversão do momento. Diversão... Palavra difícil de ser encontrada no dicionário dos adultos, aonde só existe reclamação e dor. Porém o que move estes pequenos seres a se divertirem com tampouco (Neste caso uma câmera)? O que faz estas crianças brigarem e se perdoarem em menos de segundos? Acredito que isto seja obra dos sonhos. Não estou locou... Apenas tenho esta idéia. Acho que os sonhos movem as crianças. Afinal todas elas crescem sonhando em ser adultos, trabalharem e estudarem. Engraçado que quando somos adultos queremos ser crianças novamente. O fato é que a capacidade de sonhar e imaginar dos pequenos é absurda. Capacidade esta que perdemos com as pedras em nosso caminho. Em cada tropeço lá se vai nossa imaginação. E assim o amargo e o cinza começam a tomar conta de nossos enfadonhos dias. A garota continua a sorrir e sua beleza toca meu coração. Quanto tempo perdido em meio à negritude do dia! A vida podia ser resumida neste segundo, eternizado em fotografias. Procuro a criança dentro de mim, mas ela se foi. Apenas uma palavra rodeia meu corpo: Responsabilidade. Porém sigo me perguntando, porque não sorrimos? Porque a imaginação está perdida? Porque nos preocupamos tanto com coisas sem sentido? Meus devaneios são interrompidos, o gongo tocou e tenho que partir. Sonhar, imaginar... Palavras irmãs. Imaginando podemos sonhar, sonhando imaginamos o futuro e, talvez, possamos sorrir. Sonhar... Não só com projetos pessoais, mas com um mundo melhor. A menina agora se despede. Meu coração dispara e em um toque deseja toda a sorte para a pequena. Que ela sonhe e muito! Pois sonhar traz alegria e devolve o colorido à vida. Sonhe!
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Vida longa as dedicatórias !
Comprei e li um livro de Rubem Alves. “Concerto para o corpo e alma”... Grande coisa? Bom o livro tem muitos ensinamentos, mas um nome assinado em sua lateral me chamou atenção. Estela Comin deve saber do que falo. Por isso que amo comprar livros no sebo, às vezes você acha algum premiado e começa a traçar um perfil da pessoa que deixou sua marca. Talvez, para Estela, o livro lembre algum romance antigo. Porém como será esta pessoa que passou horas de sua vida debruçada sobre a cama se deleitando das palavras do Rubems? Imagino uma mulher loira, sorridente e feliz com a vida. Não sei por que. Bom às vezes, nesses livros do sebo, encontramos recompensas maiores do que só um nome. Como no “Xangô de Baker Street”, escrito por Jô Soares, que comprei há uns três anos. Além de um nome, uma mensagem escrita à mão diz... “A leitura é o alimento do nosso espírito. Com ela viajamos através dos continentes, dos países e do mundo inteiro. Ler é adquirir conhecimento, engrandecer a alma e nos tornar melhores... Otenir”. Será que a pessoa que recebeu este livro aprendeu esta sábia lição? Ler é viajar, ler dedicatórias de livros antigos, também. Por isso que adoro ser premiado no sebo. Assim vou descobrindo histórias e inventando personagens. Otenir, para mim, é um homem de quarenta anos com barba, solteiro e que perdeu seu grande amor na juventude. Talvez, ele seja professor. Aliás, acredito que Estela, também, é solteira. Até que ela, no auge dos seus 25 anos, descobre em seu coração um afeto pelo seu professor da faculdade de Letras, chamado... Otenir é claro! Então os dois começam, secretamente, a mandar mensagens de amor. Porém, Otenir estava casado com sua fé e resistia. Isso não a fez desistir e, após, muito tempo tentando e demonstrando amor conseguiu ficar ao lado do seu sonhado Otenir. E assim, os dois devem estar descansando agora juntinhos como os dois livros com seus nomes em minha estante. Casados, com filhos, ela trabalhando e ele ainda lecionando. O carro, gol, deles ainda está na oficina e, puxa! Como as crianças cresceram... Bom, e assim a história continua como sempre... Felizes até a TPM! Agora começo a lembrar de todos os livros que já distribui com dedicatórias bonitas e feias, mas de coração. Será que algum dia comprarei um livro com minha assinatura? Ou então outra pessoa comprará? Será que ela inventará histórias de amor? Espero que não. Digo isso, porque acho que temos que cultivar as boas lembranças. Livros com dedicatórias são invendáveis! Em cada letra uma história diferente, uma mensagem e um aprendizado. É... Vida longa aos livros com dedicatória!
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