Um dia – não lembro qual – estava em uma roda de amigos quando um deles falou: “Queria fazer parte da história do mundo, sei lá, fazer algo grande”. Senti em sua fala um pesar. Não sei por que, mas na hora não soube o que responder. Até por isso escrevo estas linhas... Pois de muito pensar, acho que encontrei a resposta. Então aí vai... “Meu grande amigo, você pensa que para fazer história você precisa estar na frente de tudo, ou fazer algo grande? Não... nobre companheiro. Quando nascemos começamos a construir o mundo. O nosso mundo, ou seja, a nossa visão das coisas. Porém saiba que em nossos primeiros passos já estão contidas nossa pequena história. E ali, começamos a construir nossa casa. Todos que passam por esse ciclo – Nascer, Crescer e Morrer – terminam a sua construção, sendo que cada atitude é um novo tijolo. Cada erro e acerto... cada escolha... fazem parte desta casa que está inserida no vilarejo da História. Quem faz a história do mundo, quem faz o mundo, somos nós. Cada um dentro de sua função. O lixeiro, o gari, o empresário... cada um fazendo e contribuindo para a nossa vida em sociedade. Construindo a história. Acredito que somos operários do tempo. E trabalhamos para que possamos construir a nossa casa no vilarejo da História. Você faz história todos os dias. Ela é pautada por você. E um dia quando algum jornalista lhe entrevistar e você sair no jornal contando como eram os tempos em que você era criança, aonde se jogava bolinha de gude, se empinava pipa, existia pião... você lembrará do que lhe escrevo nesta resposta. Outra coisa, quem disse que você nunca fez nada de grandioso? Estais vivo ainda, homem. Viver já é algo grandioso. Agora a decisão de aceitar essa oportunidade é sua, pois se você decidir se esconder e viver em solidão será um morto. Você pode ser um simples lixeiro, ou um garagista, ou lavador de carros... mas saiba amigo, que o seu trabalho é fundamental para manter o mundo. Cada um doa um pouco de si, para que a sociedade funcione e a vida seja semeada nos sorriso alheios de satisfação. Resumindo... Você constrói a história do mundo todos os dias!!! E o fato de você estar vivo, lendo este texto em seu trabalho, mostra o quanto você é importante, não só para mim, mas para toda a sociedade que depende do seu pouco, para que possa caminhar”.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Nostalgia
Com um sorriso tímido e um olhar aconchegante a senhora Henriqueta Meller Casagrande me recebeu em sua casa para contar a sua história. A história de uma Cresciuma, que nascia menina, não no berço de carvão, mas no berço da lavoura e da labuta. Dona Henriqueta nasceu em 1917 e aos 18 anos casou-se com Defende Casagrande, um dos 15 filhos de Augusto Casagrande. “ Conheci meu marido em um enterro, ele me viu e me achou bonita. Namoramos e casamos”, contava-me ela. Após o casamento, Henriqueta viveu 15 dias na casa de sua sogra Cecília Darós Casagrande, mulher de Augusto. No casarão, onde hoje é o museu histórico e geográfico Augusto Casagrande, ela percebeu a rotina da família advinda da Itália. “Seu Augusto veio com seus pais Giuseppe e Augusta. Na Itália Augusta era ama-de-leite e tinha muitas gratificações por isso. Porém já que a família vinha para cá ela veio. Tomava diversos banhos por dia. Estava sempre pegando água do poço”, dizia Henriqueta. Porém seus olhos estavam acuados e sua memória, um pouco apagada, de 93 anos, lembrava de algumas histórias. Suas filhas, também, contavam alguns causos que iam me levando para um mundo distante e totalmente diferente do atual. “O quintal da minha sogra era onde hoje é o Criciúma Shopping, ela ia todos os dias colher verduras para o almoço. A olaria de seu Augusto era próxima de onde hoje é o city clube. Ele possuía muita terra, e além da alvenaria, tinha diversas cabeças de gado e plantação. Tinha , também, uma fazendo em Tubarão”, e enquanto ela e suas filhas forçavam suas mentes eu me deleitava em minha imaginação. Deitava nos campos e via o sol se por. Cavalgava por toda a Cresciuma. Carregava os tijolos da olaria para as primeiras casas da cidade em um carro de boi. Brincava no seleiro e jogava bocha todos os domingos comendo um bom queijo e bebendo um bom vinho, como os Casagrandes. Eu saia de minha Criciúma e viajava por Cresciuma. Saia da aurora brilhante de uma nova e feliz geração e bradava os colonizadores. Italianos, negros, árabes, portugueses, dentre outros... Que transformaram a mata em uma cidade pólo no estado. E a nostalgia sentida por dona Henriqueta, passava em meu coração, transformando-se me um eco que fazia meu alterego gritar: Como é rica a nossa história. Viva a Cresciuma!
P.S. Só para titulo de informação. O casarão onde viveu Augusto e Cecília, juntamente com seus filhos, foi doado para o Município em 1978 pelos netos de Augusto, para que fosse instalado um museu da imigração, nas comemorações do centenário, com a condição de que o novo museu levaria o nome de Augusto Casagrande.
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